Advogada oficiosa de José Sócrates renuncia por objeção de consciência

A advogada oficiosa chamada esta terça-feira pelo tribunal para representar José Sócrates no julgamento da Operação Marquês renunciou à defesa, invocando objeção de consciência de natureza política. Trata-se de Inês Louro, militante do Chega, que já se tinha pronunciado publicamente de forma crítica em relação ao antigo primeiro-ministro.

Em declarações aos jornalistas no Campus da Justiça, a advogada explicou a decisão: “Já me pronunciei muito criticamente sobre José Sócrates e, por isso, renunciei por objeção de consciência”.

Inês Louro tinha sido chamada para substituir o advogado José Preto, que não compareceu em tribunal por se encontrar internado com pneumonia no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. O advogado informou o tribunal de que não dispõe ainda de previsão de alta clínica que lhe permita estar presente na audiência, tendo deixado implícita a possibilidade de adiamento, embora sem apresentar um pedido formal nesse sentido.

Apesar dessa situação, a juíza presidente decidiu avançar com a audiência, determinando a nomeação de um defensor oficioso. Com a renúncia agora apresentada, o tribunal deverá proceder à chamada de um novo advogado para assegurar a defesa de José Sócrates nesta sessão.

Recorde-se que o julgamento da Operação Marquês esteve interrompido durante cerca de dois meses, desde 11 de novembro, após uma sucessão de episódios polémicos, incluindo a saída de Pedro Delille da defesa de Sócrates, após 11 anos nessa função, e a recusa do arguido em ser representado pelo defensor oficioso José Manuel Santos.

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