No âmbito da 49.ª Feira do Queijo Serra da Estrela – Seia, a decorrer de 14 a 17 de fevereiro, a Rede de Aldeias de Montanha e o Município de Seia promovem, a 13 de fevereiro, um debate estratégico sobre a valorização da lã portuguesa, sob o tema: “Lã: De resíduo a recurso. Como fechar o ciclo?”.
Moderado pela jornalista Ana Rodrigues Ribeiro, diretora executiva do canal Conta Lá, o encontro reunirá decisores políticos, empresários, académicos e produtores, com o objetivo de discutir a soberania produtiva, a viabilidade económica da fileira e os desafios estruturais que continuam a comprometer a valorização da lã nacional.
O debate parte do paradoxo de que, apesar da crescente procura internacional por matérias-primas sustentáveis, a lã portuguesa ainda é, em muitos casos, tratada como resíduo devido à falta de infraestruturas e de um modelo integrado de transformação. A discussão visa encontrar soluções operacionais para fechar o ciclo produtivo, assegurando a rentabilidade da pastorícia e posicionando a lã como ativo estratégico para a Serra da Estrela e para o país.
Entre os intervenientes está o Secretário de Estado da Agricultura, João Moura, que abordará a lã como recurso estratégico para a sustentabilidade da pastorícia. Jorge Brito, presidente da Assembleia Geral da Rede de Aldeias de Montanha, refletirá sobre o desenvolvimento regional, alertando para a necessidade de uma narrativa consistente que combine lã e turismo de experiência sem comprometer a autenticidade da fileira.
O debate abordará ainda a criação de uma certificação específica para lãs de raças autóctones portuguesas, com destaque para a Lã da Raça Serra da Estrela, e contará com contribuições da investigadora e empreendedora Rosa Pomar, do Centro de Competência da Lã e do Museu dos Lanifícios da UBI, sobre inovação, rigor técnico e preservação do património.
Na base da cadeia de valor, a ANCOSE destacará a importância de dignificar economicamente os produtores e melhorar a seleção da lã no terreno, enquanto o CEARTE abordará a capacitação para novas microunidades de transformação, garantindo a manutenção do património têxtil artesanal.
O encontro reforça o compromisso de transformar a lã da Serra da Estrela de passivo ambiental em motor de uma bioeconomia regional forte, competitiva e genuína.