A associação Move Beiras criticou a forma como está a ser gerida a interrupção da circulação ferroviária na Linha da Beira Baixa, considerando tardia e insuficiente a solução anunciada para assegurar a mobilidade na região.
Em comunicado, a associação lembra que só mais de um mês depois das tempestades que interromperam a linha surgiu uma resposta, baseada num transbordo rodoviário entre a Guarda e Abrantes, previsto para durar pelo menos seis meses. A Move Beiras considera que esta opção representa mais tempo de viagem, com um acréscimo de cerca de 30 minutos, e deixa de fora passageiros com mobilidade reduzida ou com bicicletas.
A estrutura defende que existiam alternativas ferroviárias mais adequadas, apontando, por exemplo, para a utilização de uma automotora entre a Guarda e Vila Velha de Ródão para reduzir o recurso ao transporte rodoviário ao mínimo indispensável. Para a associação, a substituição do comboio por autocarros, numa linha que diz estar em boa parte operacional, contraria também os princípios de sustentabilidade.
A Move Beiras acusa ainda a solução encontrada de discriminar o troço entre a Covilhã e a Guarda, ao excluir paragens em estações e apeadeiros que passaram a ser servidos por comboios Intercidades e Regionais em 2021. Segundo a associação, ficam fora do transbordo ao Intercidades localidades como Caria, Belmonte, Manteigas, Maçainhas, Benespera, Barracão e Sabugal, afectando diretamente populações dos concelhos da Guarda, Sabugal, Belmonte, Manteigas e Penamacor.
No mesmo comunicado, a associação sustenta que estas populações continuam sem seis das dez ligações diárias que existiam até 11 de fevereiro e fala em horários e ligações desajustados para quem precisa de viajar de e para Lisboa.
A Move Beiras considera que o problema ultrapassa a questão do transporte e assume contornos de justiça territorial, alertando para o risco de maior isolamento da Beira Interior e para dificuldades acrescidas no acesso ao trabalho, à educação e aos serviços de saúde. A associação exige, por isso, a correção da situação e defende que nenhum habitante da Beira Interior pode ser deixado para trás.
