Uma megaoperação da Polícia Judiciária (PJ), desencadeada esta terça-feira, 20 de janeiro, resultou na detenção de 37 pessoas e na constituição de 15 arguidos, no âmbito do desmantelamento do grupo neonazi designado por “1143”. A operação, denominada “Irmandade”, teve início pelas 7h00 e decorreu em vários pontos do país.
Segundo informação confirmada por fonte policial, a ação foi conduzida pela Unidade Nacional Contraterrorismo e teve como objetivo pôr termo à atividade de uma organização criminosa suspeita da prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas.
Os suspeitos detidos têm idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos e apresentam, de acordo com a mesma fonte, vastos antecedentes criminais, bem como ligações a grupos de ódio de âmbito internacional. A investigação aponta que o grupo adotava e difundia a ideologia nazi, associada à cultura nacional-socialista e à extrema-direita radical e violenta, atuando com motivações racistas e xenófobas.
De acordo com a PJ, a organização tinha como principal objetivo intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, em particular comunidades imigrantes, operando no seio de uma estrutura hierárquica bem definida, com funções distribuídas entre os seus membros. A criação do grupo terá tido como propósito exclusivo o desenvolvimento de atividades que incitavam à discriminação, ao ódio e à violência racial.
No decurso da operação Irmandade, que envolveu cerca de 300 inspetores de diversas unidades da Polícia Judiciária, foram realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias. Dessas diligências resultou a apreensão de diverso material de propaganda e merchandising associado à ideologia de extrema-direita violenta, nomeadamente neonazi, assim como várias armas.
Os detidos serão presentes esta quarta-feira, 21 de janeiro, no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, onde serão sujeitos a primeiro interrogatório judicial para aplicação das respetivas medidas de coação. O inquérito é titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.