A procura pelos serviços de saúde registou um aumento significativo entre 1 e 7 de dezembro, impulsionada pela subida dos casos de gripe e de infeções respiratórias agudas, que atingiram níveis superiores aos verificados em épocas anteriores. Os dados constam do Relatório de Resposta Sazonal em Saúde — Vigilância e Monitorização, divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).
Durante este período, os serviços de urgência hospitalar contabilizaram 128.602 episódios, o que representa um acréscimo de 1,7% face à semana anterior. Deste total, 8,1% corresponderam a episódios por infeção respiratória aguda, mais 1,2 pontos percentuais do que na semana precedente, enquanto os casos de síndrome gripal representaram 3,62%, registando um aumento de 1,56 pontos percentuais.
O crescimento dos casos de gripe foi particularmente expressivo entre os adultos dos 19 aos 59 anos, que concentraram 26,6% dos episódios (+4,0 pontos percentuais), e entre as pessoas com 65 ou mais anos, com 20% dos casos (+1,1 pontos percentuais). A DGS sublinha que, comparativamente a épocas anteriores, a proporção de episódios de urgência associados a síndrome gripal é superior e surgiu de forma mais precoce.
Apesar do aumento da procura, verificou-se uma ligeira redução da proporção de episódios de urgência por síndrome gripal que resultaram em internamento, fixando-se nos 8,3% (-0,1 pontos percentuais). A nível nacional, a taxa média de ocupação de camas em enfermaria atingiu 80,1%, enquanto a ocupação em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) subiu para 70,1%. Ainda assim, a proporção de doentes com diagnóstico de gripe admitidos em UCI desceu para 2,6%.
A mortalidade geral manteve-se dentro dos valores esperados, embora se tenha registado um excesso na região Norte e no grupo etário dos 75 aos 84 anos. A mortalidade proporcional por doenças do sistema respiratório apresentou uma tendência de crescimento, situando-se nos 12,1%, acima das semanas anteriores, mas abaixo do pico registado na época 2024/2025.
Também a Linha SNS 24 registou um aumento de 4% nos atendimentos, totalizando 90.294 contactos. As chamadas relacionadas com problemas respiratórios agudos cresceram 21,4%, alcançando 30.166 atendimentos, apesar de uma redução de 10,5% nos contactos triados por febre. Em contrapartida, os encaminhamentos para os serviços de urgência diminuíram 2,9%, assim como os direcionamentos para os cuidados de saúde primários (-3,4%) e para o INEM (-74,5%). Cresceram, no entanto, os encaminhamentos para autocuidados, com um aumento de 5,4%.
O Instituto Nacional de Emergência Médica registou igualmente uma maior pressão, com um aumento de 6,9% no número de chamadas, num total de 36.382, e uma subida de 4,6% nas ocorrências, que atingiram 33.166.
Nos cuidados de saúde primários do Serviço Nacional de Saúde, os dados apontam para uma diminuição de 21,9% no número total de consultas médicas, embora tenha aumentado a proporção de atendimentos relacionados com infeção respiratória aguda e síndrome gripal.
Foram ainda reportados 16 casos de infeção por vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças com menos de dois anos, enquanto a notificação de casos de infeção por SARS-CoV-2 se manteve estável. As coberturas vacinais nos grupos etários com 60 ou mais anos situaram-se em cerca de 37% para a covid-19 e 62% para a gripe.
No âmbito do Programa Nacional de Vigilância da Gripe, a DGS identifica uma atividade gripal em fase epidémica, com tendência crescente, e reforça o apelo à vacinação contra a gripe e a covid-19. A autoridade de saúde recomenda ainda a utilização da Linha SNS 24 (808 24 24 24) como primeiro ponto de contacto com o sistema de saúde, de forma a garantir uma resposta mais adequada e eficaz à procura crescente.