2025 foi o 5.º ano mais quente, mas também o 3.º mais chuvoso desde 2000, revela o IPMA

O ano de 2025 ficou marcado por temperaturas elevadas e por uma precipitação acima do normal, segundo o boletim climatológico divulgado esta quarta-feira pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). A análise dos dados aponta 2025 como o quinto ano mais quente desde que há registos sistemáticos, mas simultaneamente como o terceiro mais chuvoso desde o ano 2000 em Portugal continental.

De acordo com o IPMA, a temperatura média anual do ar atingiu os 16,47 graus Celsius, um valor superior em 0,81 ºC à média do período de referência 1991-2020. O instituto sublinha ainda que os últimos quatro anos se incluem entre os cinco mais quentes de sempre no país, confirmando uma tendência persistente de aquecimento.

Apesar do predomínio de temperaturas elevadas, a precipitação teve um peso significativo ao longo do ano. O total anual de chuva registado foi de 1064,8 milímetros, representando um desvio positivo de 245,5 milímetros face ao valor médio climatológico. Segundo o IPMA, há 11 anos que Portugal continental não registava um ano tão chuvoso, o que coloca 2025 como o terceiro mais chuvoso deste século.

O boletim climatológico destaca ainda a ocorrência de múltiplos extremos meteorológicos. Foram identificados 60 novos extremos de temperatura máxima, dos quais cerca de 90% corresponderam a novos valores mais elevados, sobretudo nos meses de maio e junho. Registaram-se também 42 novos extremos de temperatura mínima, quase metade associados a valores particularmente baixos, concentrados no mês de setembro.

No que respeita à precipitação, o IPMA contabilizou 44 novos extremos, maioritariamente nos meses de janeiro e novembro. Ao longo do ano foram ainda identificadas seis ondas de calor: uma na primavera, três durante o verão e duas no outono, evidenciando que metade destes fenómenos ocorreu fora da estação estival.

Apesar da precipitação global elevada, o IPMA assinala a existência de seca meteorológica entre julho e outubro, que afetou entre 60% e 99% do território continental, demonstrando a forte irregularidade na distribuição da chuva ao longo do ano.

O boletim climatológico de 2025 reforça assim o cenário de crescente variabilidade climática em Portugal, com a coexistência de recordes de calor, períodos de seca e episódios de precipitação intensa.

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