O antigo primeiro-ministro José Sócrates requereu a nulidade das sessões de julgamento da Operação Marquês em que foi assistido por advogada oficiosa, alegando falhas graves na sua defesa.
De acordo com a SIC Notícias, Sócrates acusa a defensora nomeada, Ana Velho, de não ter lido a acusação nem consultado o processo no portal Citius. Num documento exibido em direto pelo canal, assinado pelo advogado José Preto, são levantadas dúvidas sobre o conhecimento da matéria processual e da prova produzida, apontando “completo mutismo” quanto aos temas em debate.
Ana Velho foi nomeada após José Preto ter ficado temporariamente impedido de representar o arguido por motivos de saúde, situação que, segundo o próprio, terá sido usada para fragilizar a defesa. Em declarações à RTP, José Preto afirmou não poder “consentir” que a sua pneumonia — que implicou internamento no Hospital de Santa Maria — servisse de base à nomeação de um defensor oficioso sem condições para dominar um processo com centenas de milhares de páginas e centenas de horas de gravações.
Posteriormente, José Preto renunciou à defesa de Sócrates, alegando que a sua condição clínica estava a ser instrumentalizada pelo tribunal, em prejuízo do direito de defesa do arguido.
José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado por 22 crimes, incluindo três de corrupção, por alegadamente ter recebido vantagens para favorecer o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e Vale do Lobo. O processo envolve 21 arguidos e 117 crimes económico-financeiros, imputados a factos ocorridos entre 2005 e 2014. Segundo a SIC Notícias, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo, poderão prescrever no primeiro semestre deste ano.
O julgamento decorre desde 3 de julho de 2025 no Tribunal Central Criminal de Lisboa e tem sido marcado por adiamentos e várias peripécias processuais.