A Associação Distrital dos Agricultores de Castelo Branco manifestou preocupação com as dificuldades que estão a afetar o setor agrícola na região, alertando para uma situação que considera cada vez mais grave para a viabilidade económica de muitas explorações. Em causa, segundo a ADACB, está a sucessão de fatores adversos que tem atingido os produtores, desde os incêndios florestais do verão passado às intempéries mais recentes, passando pelo aumento acentuado dos custos de produção, nomeadamente do gasóleo agrícola e dos fertilizantes.
A associação critica também a resposta do Governo, considerando que os apoios prometidos tardam em chegar ao terreno e deixam muitos agricultores sem a ajuda necessária. Entre as prioridades apontadas está ainda o investimento na reparação e manutenção de caminhos rurais e florestais, considerados essenciais para a circulação e para o normal desenvolvimento da atividade agrícola.
No mesmo comunicado, a ADACB mostra-se insatisfeita com a atuação das grandes superfícies comerciais, acusando-as de continuarem a apostar na importação de produtos de origem animal e vegetal, em vez de valorizarem a produção nacional. A associação entende que esta opção agrava as dificuldades de escoamento dos produtos agrícolas a preços compensatórios e prejudica a economia nacional, além de comprometer a sustentabilidade do setor.
Entre as propostas apresentadas, a ADACB defende um controlo mais eficaz do mercado energético, com especial incidência no gasóleo agrícola, e uma ação firme do Estado no combate à especulação dos preços dos combustíveis, fertilizantes, rações e outros fatores de produção. A associação associa-se também à Confederação Nacional da Agricultura na proposta de criação de um programa de compras conjuntas de fertilizantes, rações e outros insumos, com o objetivo de reduzir custos e garantir condições mais favoráveis para os produtores.
A ADACB avisa que, sem medidas concretas e urgentes, o setor agrícola poderá enfrentar uma crise profunda, com impacto direto na produção alimentar, na sustentabilidade das explorações e na soberania alimentar do país. A associação reafirma, por isso, o compromisso de continuar a defender os agricultores e um setor agrícola mais justo, sustentável e solidário.
