A Plataforma P’la Reposição das SCUT na A23 e A25 manifestou preocupação com uma eventual reintrodução de portagens nas autoestradas A23, A24 e A25 e anunciou que vai solicitar audiências ao Governo, à Autoridade da Mobilidade e dos Transportes e aos grupos parlamentares.
A posição foi assumida após uma reunião realizada no dia 14 de outubro, na qual foram analisadas várias questões consideradas essenciais para o futuro da Beira Interior, entre elas a implementação de um Plano Global de Mobilidade, as ligações ferroviárias e rodoviárias, a redução do preço dos passes sociais e o recente estudo estratégico da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes sobre o financiamento da rede rodoviária.
A Plataforma considera que continuam por concretizar investimentos importantes para a região, destacando as ligações rodoviárias a Espanha através do IC31 e a Coimbra pelo IC6, assim como os projetos IC7, IC26 e IC37 no distrito da Guarda.
Relativamente à proposta de Orçamento do Estado para 2027, a estrutura entende que esta não apresenta respostas suficientes para as necessidades da Beira Baixa e das Beiras e Serra da Estrela, nomeadamente nas áreas da ferrovia, das infraestruturas rodoviárias, dos transportes públicos e do Plano de Revitalização da Serra da Estrela.
A Plataforma rejeita ainda qualquer ligação entre a construção destas infraestruturas e a eliminação das portagens nas antigas SCUT, defendendo que os investimentos rodoviários previstos para o Interior não estão financeiramente dependentes de uma eventual reposição de portagens.

Em relação ao estudo da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, a Plataforma critica a ausência de auscultação prévia da sociedade civil, dos agentes económicos e sociais e das autarquias, considerando ainda preocupante a possibilidade de o documento abrir caminho ao aumento ou criação de novas portagens e ao regresso do princípio do utilizador-pagador.
A estrutura exige que a AMT e o Governo esclareçam de forma inequívoca que a A23, A24 e A25 não serão abrangidas por qualquer eventual reintrodução de portagens.
A Plataforma garante que se oporá a qualquer decisão nesse sentido, classificando uma eventual reposição das portagens nestas autoestradas como uma “declaração de guerra” ao Interior e admitindo recorrer a todas as formas de luta que considere legítimas.
Foram entretanto decididos pedidos de audiência à Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, ao primeiro-ministro, ao ministro das Infraestruturas e aos grupos parlamentares.
A Plataforma apela ainda às Comunidades Intermunicipais, Assembleias Municipais e Câmaras Municipais para que aprovem moções ou resoluções de oposição a qualquer tentativa de reposição de portagens nas antigas SCUT do Interior.
