O antigo presidente da Câmara Municipal de Belmonte, António Pinto Dias Rocha, foi nomeado cônsul honorário do Brasil para os distritos de Castelo Branco e Portalegre, encerrando um percurso de 48 anos de serviço público que conciliou a atividade autárquica com a carreira médica e iniciando agora um novo capítulo de ligação institucional entre Portugal e o Brasil no Interior Centro.
A nomeação surge num contexto de crescimento e consolidação da comunidade brasileira na região, composta por estudantes, trabalhadores e famílias, muitos deles ligados à Universidade da Beira Interior e aos institutos politécnicos de Castelo Branco e Portalegre. A criação do consulado honorário responde a uma necessidade antiga de proximidade institucional e de apoio consular num território marcado pela interioridade, mas cada vez mais assumido como espaço de acolhimento e integração.
Em entrevista concedida em Belmonte, semanas após a saída da liderança do município, António Rocha sublinha que a ligação ao Brasil é antiga e profundamente enraizada na identidade local. Natural de Belmonte, terra natal de Pedro Álvares Cabral, refere que cresceu com essa herança histórica e cultural, reforçada ao longo de décadas por contactos institucionais, viagens frequentes ao Brasil e relações pessoais e políticas, em particular com o Estado da Bahia.

Ao longo do seu mandato autárquico, destacou-se pelo reforço da cooperação luso-brasileira, incluindo a recuperação do Prémio Pedro Álvares Cabral, iniciativa criada nos anos 1970 que permite, anualmente, a dois alunos do concelho, os melhores classificados do 9.º ano, realizarem uma viagem ao Brasil. Uma ligação que, segundo o próprio, faz com que Belmonte seja hoje um território particularmente recetivo à comunidade brasileira, onde “basta falar brasileiro para encontrar um sorriso”.
A instalação do consulado honorário resulta de um processo acompanhado durante vários anos e contou com o apoio do cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Warley Candeas, e do embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro. António Rocha assume o cargo com um mandato inicial de dois anos, renovável, e aponta como principal objetivo a consolidação do consulado e a prestação de apoio efetivo à comunidade brasileira residente na região.
Entre as prioridades estão o acompanhamento institucional, a articulação com universidades e entidades públicas, bem como a resposta às necessidades de uma comunidade que desempenha, segundo o próprio, um papel essencial na economia local, nomeadamente na resposta à falta de mão de obra. O novo cônsul honorário destaca ainda a importância de garantir condições de segurança, educação, habitação e integração familiar, fundamentais para a fixação de população no Interior.
Embora ainda não exista um espaço físico definido para o consulado honorário, António Rocha admite que o município de Belmonte deverá assumir essa responsabilidade, sublinhando a relevância simbólica e prática da presença consular na vila onde nasceu Pedro Álvares Cabral. Até à formalização dessa estrutura, o contacto poderá ser feito através do endereço de correio eletrónico pessoal do cônsul honorário, sendo garantida disponibilidade para acolher, ouvir e encaminhar os cidadãos brasileiros que procurem apoio.
A criação do consulado honorário do Brasil em Belmonte representa, assim, um novo impulso na cooperação entre os dois países, reforçando laços históricos e culturais e afirmando o Interior Centro como território de integração, proximidade e futuro partilhado.