O Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil da Beira Baixa manifestou descontentamento com as condições de trabalho existentes em várias empresas do setor têxtil e do vestuário, após a realização de plenários com trabalhadores ao longo das últimas duas semanas.
Em nota divulgada esta segunda-feira, 27 de julho, o Sindicato considera insuficiente o valor do subsídio de alimentação previsto no Contrato Coletivo de Trabalho dos Lanifícios, que passa de 2,80 para 3 euros por dia a partir do final de julho. A estrutura sindical recorda que este é apenas o valor mínimo definido no contrato coletivo e defende que as empresas podem atribuir montantes superiores.
O Sindicato aponta como exemplo a empresa Paulo de Oliveira, referindo que, de acordo com dados financeiros a que teve acesso, a empresa apresentou um lucro líquido de cerca de 11,9 milhões de euros em 2023 e de 10,1 milhões em 2024. Perante estes resultados, a estrutura sindical questiona a manutenção do subsídio de alimentação no valor mínimo e reclama melhores salários e condições para os trabalhadores.
Na mesma nota, são também relatadas queixas de trabalhadores da Paulo de Oliveira relacionadas com a limpeza das instalações. Segundo o Sindicato, os trabalhadores afirmaram existir apenas uma funcionária responsável pela limpeza de toda a empresa e que as casas de banho das diferentes secções são limpas uma vez por semana. A estrutura sindical refere ainda que terá existido a intenção de atribuir aos próprios trabalhadores tarefas diárias de limpeza desses espaços, algo que, segundo o comunicado, foi rejeitado.
O Sindicato destaca igualmente as reivindicações das trabalhadoras da Benoli, que reclamam um aumento do subsídio de alimentação, atualmente fixado em 3 euros por dia, e dos trabalhadores da Haco Etiquetas, que exigem melhores condições de trabalho e uma valorização do mesmo subsídio.
A estrutura sindical defende que a dificuldade de algumas empresas em recrutar e fixar mão de obra está relacionada com os salários, os subsídios e as condições oferecidas, reiterando que continuará a apoiar os trabalhadores na defesa de melhores remunerações e condições laborais.

