João Baião esgota três sessões em Águeda e admite regressar com «Amor É Assim…»

O Centro de Artes de Águeda prepara-se para receber três sessões esgotadas da comédia «Amor É Assim…», protagonizada por João Baião. O espetáculo sobe ao palco esta sexta-feira, 30 de outubro, à noite, e regressa no sábado, 31 de outubro, para duas apresentações, uma durante a tarde e outra à noite. Em entrevista ao Notícias de Águeda, o ator e apresentador manifestou a satisfação por voltar à cidade, revelou alguns dos segredos da produção e admitiu a possibilidade de um futuro regresso, perante a elevada procura de bilhetes.

João Baião está de regresso a Águeda e a receção do público não poderia ser mais expressiva. As três sessões de «Amor É Assim…», a nova comédia que protagoniza e encena em conjunto com Fernando Gomes, encontram-se esgotadas, confirmando a forte ligação do artista ao público aguedense e o sucesso de uma produção que promete duas horas de gargalhadas, equívocos e situações absolutamente inesperadas.

Numa entrevista concedida ao Notícias de Águeda, momentos antes da primeira apresentação, João Baião explicou que o espetáculo resulta de uma adaptação da célebre comédia britânica «Run for Your Wife», escrita por Ray Cooney, que o próprio adaptou para a realidade portuguesa em colaboração com João Frizza.

«É uma comédia daquelas com muitos trocadilhos, com muitos equívocos, a chamada comédia de portas», explicou o ator, destacando o ritmo intenso de uma história em que cada tentativa de resolver um problema acaba por provocar uma complicação ainda maior.

A narrativa acompanha Joaquim Baião, um homem aparentemente exemplar, metódico e organizado, que consegue manter duas vidas paralelas sem levantar suspeitas. Dividido entre duas casas e duas mulheres, Bárbara Baião e Prazeres Baião, o protagonista acredita ter encontrado a fórmula perfeita para gerir os seus relacionamentos. Tudo funciona até que um acontecimento inesperado desencadeia uma sucessão de mentiras, confusões e situações cada vez mais difíceis de controlar.

Para João Baião, um dos grandes trunfos da peça reside precisamente na forma como a ação evolui e surpreende constantemente os espectadores.

«Quando se pensa que alguém entra em cena para resolver a situação, ainda vem complicar mais», revelou, acrescentando que a história vai crescendo progressivamente «até à loucura do segundo ato», culminando numa sucessão de acontecimentos cómicos.

O elenco reúne Cristina Oliveira, Mané Ribeiro, Luís Garcia, João Frizza, João Lopes e Susana Cacela, além do próprio João Baião, numa produção que aposta na cumplicidade entre os intérpretes, na rapidez dos diálogos e numa encenação marcada pelo movimento constante.

Questionado sobre a diferença entre o trabalho em televisão e a representação teatral, João Baião reconheceu que são duas formas distintas de comunicar, embora igualmente importantes no seu percurso profissional.

«A minha praia, digamos assim, é comunicar», afirmou, explicando que, enquanto na televisão se apresenta ao público como João Baião, no teatro assume uma identidade completamente diferente.

«Na televisão sou o João Baião, aqui vou ser o Joaquim Baião, que não tem nada a ver comigo. No teatro é onde nós nos disfarçamos e servimos a personagem do autor e do encenador», sublinhou.

O artista considera que televisão e teatro se complementam e confessa ter dificuldade em escolher uma das duas áreas. «É como perguntar a um pai de qual dos filhos gosta mais», comparou, antes de recordar que «o teatro é a base do ator».

A passagem por Águeda assume particular significado para João Baião, não apenas pela resposta do público, mas também pelas condições proporcionadas pelo Centro de Artes de Águeda, espaço que voltou a elogiar durante a entrevista.

Confrontado com a possibilidade de ainda existirem alguns bilhetes disponíveis para as três apresentações, o ator foi perentório: «Não há, não há.»

«Felizmente, quando vimos a Águeda, as pessoas respondem afirmativamente e reservam logo o seu lugar», afirmou, reconhecendo que a procura ultrapassou a capacidade disponível.

«A pena é não termos mais dias, porque de certeza que muitas pessoas ficaram de fora e gostariam de assistir a esta comédia muito divertida. Vamos ter três salas esgotadas, o que me dá um prazer enorme. É um gosto e, ao mesmo tempo, um privilégio estar mais uma vez nesta sala incrível», declarou.

A possibilidade de um regresso a Águeda foi também colocada durante a conversa, tendo João Baião deixado a porta aberta a uma nova passagem pelo Centro de Artes.

«Por mim, tudo bem», respondeu, defendendo que existem localidades onde se justifica apresentar o mesmo espetáculo mais do que uma vez, precisamente porque a procura deixa muitos espectadores sem oportunidade de assistir.

«Há sítios em que se calhar vale a pena voltar uma segunda vez, porque ficam tantas pessoas de fora que não têm a oportunidade de assistir ao espetáculo. Acho que faz sentido. É uma questão de pensarmos nisso», acrescentou.

Depois de Águeda, «Amor É Assim…» prossegue uma extensa digressão nacional, com apresentações previstas em Setúbal, Arronches, Barreiro, Montijo, Braga e Porto, passando também pelo Teatro Tivoli, em Lisboa.

O espetáculo estreou-se no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, e deverá continuar a percorrer os palcos portugueses até 2028, num projeto de longa duração que João Baião espera levar a públicos de todo o país.

A obra original de Ray Cooney é considerada uma das comédias de maior sucesso internacional, tendo permanecido nove anos consecutivos em cena no West End londrino. Representada em dezenas de países, tornou-se uma referência do teatro de comédia, particularmente pelo ritmo frenético e pela construção de situações de crescente absurdo.

Em Águeda, a adaptação portuguesa apresenta-se perante três plateias completamente preenchidas, num fim de semana em que o humor assume lugar de destaque na programação cultural da cidade.

No final da entrevista ao Notícias de Águeda, João Baião deixou uma mensagem aos espectadores que vão assistir às apresentações desta sexta-feira e de sábado.

«Que se divirtam muito e que venham com o espírito mesmo para se divertir. E tomem muita atenção a esta história, porque é uma história hilariante», recomendou.

A despedida fez-se com uma expressão que sintetiza o entusiasmo do artista pelo reencontro com o público local: «Viva Águeda!»

Com três sessões esgotadas, uma digressão que se prolongará pelos próximos anos e a possibilidade de um regresso à cidade, João Baião confirma que continua a encontrar em Águeda um público particularmente recetivo ao seu trabalho.

E, afinal, se o amor é mesmo assim, uma coisa parece certa: neste fim de semana, no Centro de Artes de Águeda, o riso está garantido.

0