Portugal enfrentou o quarto dia mais quente de setembro em 85 anos: termómetros chegaram aos 44,3 graus

O calor excecional que atingiu Portugal continental na quinta-feira, 3 de setembro, entrou para a história meteorológica do país. Foi o quarto dia mais quente de setembro desde 1941, com uma temperatura média de 27,6°C. Em Alcochete, os termómetros atingiram uns impressionantes 44,3°C.

Portugal continental viveu na quinta-feira, 3 de setembro, um episódio de calor verdadeiramente excecional. Os dados divulgados pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocam o dia entre os mais quentes alguma vez registados no mês de setembro nos últimos 85 anos.

A temperatura média em Portugal continental atingiu 27,6°C, fazendo de 3 de setembro de 2026 o quarto dia mais quente de setembro desde 1941, considerando a série analisada pelo instituto meteorológico.

Os valores máximos foram particularmente elevados em várias regiões do país, tendo Alcochete registado 44,3°C, a temperatura máxima mais alta observada durante o episódio.

Noites também foram excecionalmente quentes

O calor não ficou limitado às horas de maior exposição solar. As temperaturas mínimas permaneceram muito elevadas em algumas regiões, dificultando o arrefecimento durante a noite.

Esta sexta-feira, Portalegre registou uma temperatura mínima de 28°C, o valor mais elevado observado pelo IPMA.

Uma mínima desta dimensão significa que, mesmo durante o período teoricamente mais fresco do dia, a temperatura não desceu abaixo dos 28 graus.

Recorde de setembro continua nos 45 graus

Apesar dos valores excecionais registados agora, o recorde absoluto conhecido para setembro continua a pertencer a 6 de setembro de 2016.

Nesse dia, a estação meteorológica da Lousã, no distrito de Coimbra, registou 45°C, permanecendo como o valor máximo de referência indicado pelo IPMA para este mês.

Ainda assim, o episódio desta semana provocou a queda de vários recordes locais.

De acordo com o instituto, foram registados novos máximos de temperatura para esta época do ano.

Os anteriores valores mais elevados de temperatura máxima para setembro foram ultrapassados em 17% das estações meteorológicas analisadas.

Também as temperaturas mínimas estabeleceram novos registos: em oito estações meteorológicas, os anteriores máximos de setembro foram ultrapassados ou igualados.

Ar extremamente quente chegou do Norte de África

Na origem deste episódio esteve uma configuração atmosférica que favoreceu a entrada de uma massa de ar excecionalmente quente e seca sobre Portugal continental.

Segundo o IPMA, a circulação atmosférica foi condicionada pela presença de uma pequena depressão em altitude, localizada a sudoeste do território continental, conjugada com um anticiclone centrado no Norte de África e prolongado em crista até à Península Ibérica.

A combinação destes dois sistemas gerou uma circulação de sul e sudeste, transportando diretamente para a Península Ibérica uma massa de ar muito quente e seca proveniente do Norte de África.

Além das temperaturas extremamente elevadas, essa massa de ar apresentava também um elevado conteúdo de poeiras provenientes do Norte de África, fenómeno que se fez sentir em diferentes regiões do território.

Um início de setembro marcado por valores históricos

Os números agora divulgados confirmam a dimensão excecional do episódio meteorológico vivido nos primeiros dias de setembro.

Com 27,6°C de temperatura média no conjunto do território continental, 44,3°C de máxima em Alcochete e uma mínima de 28°C em Portalegre, Portugal registou valores pouco habituais mesmo para os episódios de calor mais intenso do verão.

O facto de 3 de setembro de 2026 ocupar já o quarto lugar entre todos os dias de setembro registados desde 1941 dá uma dimensão histórica ao calor sentido esta semana e confirma a excecionalidade meteorológica deste início de mês.

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