Bloco de Esquerda alerta para impactos do Parque Eólico do Paiva no lobo-ibérico e no património

As Coordenadoras Distritais do Bloco de Esquerda da Guarda, Castelo Branco e Viseu manifestaram preocupação com os impactos que o projeto do Parque Eólico do Paiva poderá provocar na conservação do lobo-ibérico e no património cultural da região.

O projeto, promovido pela Lightsource BP, prevê a instalação de 45 aerogeradores, com uma potência total de 324 megawatts, nos concelhos de Sernancelhe, Viseu, Vila Nova de Paiva, Sátão e Aguiar da Beira.

Segundo o Bloco de Esquerda, a Comissão de Avaliação do procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental, que integra técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e do Património Cultural, emitiu um parecer desfavorável ao projeto na sua configuração atual.

O parecer considera que os núcleos eólicos de Aguiar da Beira e de Ferreira de Aves interferem com a área de atividade da alcateia da Lapa e com o corredor ecológico que permite a ligação à alcateia de Leomil, podendo agravar a situação da população de lobo-ibérico existente a sul do rio Douro.

O Bloco de Esquerda alerta que esta população se encontra já num estado de conservação considerado desfavorável, depois de o território ter sido reduzido e fragmentado, nomeadamente pelos grandes incêndios registados em 2025.

A Comissão de Avaliação aponta ainda possíveis impactos sobre património arqueológico, assim como efeitos visuais e paisagísticos sobre o Convento do Senhor Santo Cristo da Fraga, além de considerar existir um sobredimensionamento da potência prevista face à capacidade da rede elétrica.

O projeto foi também alvo de forte contestação durante a consulta pública. De acordo com os dados divulgados, foram registadas 590 participações, das quais 93% se manifestaram desfavoráveis à construção do parque eólico.

As estruturas distritais do Bloco de Esquerda consideram que os territórios do interior já foram fortemente afetados pelos incêndios e defendem que não devem ser sujeitos a novos projetos que coloquem em causa valores naturais, culturais e paisagísticos.

O partido afirma apoiar a transição energética e o investimento nas energias renováveis, mas defende que os projetos devem ser planeados tendo em conta o território, as populações e a proteção da fauna e da flora.

Na sequência do parecer desfavorável, o Bloco de Esquerda questionou o Governo, através do Ministério do Ambiente e Energia, sobre a possibilidade de reprovação definitiva dos núcleos eólicos localizados em habitats considerados críticos para o lobo-ibérico e sobre as medidas previstas para proteger e recuperar a população da espécie a sul do Douro.

O partido pretende também saber que ações estão a ser desenvolvidas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas para acompanhar e proteger a alcateia da Lapa e os respetivos corredores ecológicos.

As Coordenadoras Distritais do Bloco de Esquerda da Guarda, Castelo Branco e Viseu exigem esclarecimentos ao Governo e defendem que o Estado não deve viabilizar projetos considerados incompatíveis com a proteção de territórios ambientalmente sensíveis.

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