Morreu Jorge Palma aos 76 anos. O músico que marcou gerações deixou também memórias em Águeda

Morreu Jorge Palma, uma das figuras incontornáveis da música portuguesa das últimas cinco décadas. O cantor, compositor e pianista morreu na noite desta segunda-feira, 21 de setembro, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. A morte foi confirmada pela família e pela agência do artista através das suas páginas oficiais nas redes sociais.

A notícia deixa de luto a música portuguesa e encerra um percurso artístico que atravessou várias gerações. Jorge Palma construiu uma obra onde convivem o piano, o rock, a canção de autor e uma escrita profundamente pessoal, deixando temas que acabaram por integrar a memória coletiva portuguesa.

Na mensagem que anunciou a morte, a família salientou que o músico deixa uma obra com mais de meio século e pediu que Jorge Palma seja recordado através das suas canções e palavras. As informações relativas às cerimónias fúnebres serão divulgadas posteriormente.

Nascido em Lisboa, a 4 de junho de 1950, Jorge Palma começou muito cedo a relacionar-se com a música. Iniciou a aprendizagem do piano ainda em criança e entrou no Conservatório de Música de Lisboa aos 10 anos. Aos 14 afastou-se temporariamente da formação clássica, atraído pelo universo do pop e do rock que então transformava a música internacional.

O percurso que se seguiu esteve longe de ser convencional. Passou por grupos como Black Boys e Sindicato, viveu fora de Portugal e tocou nas ruas e no metro de cidades europeias. Regressaria ao país depois do 25 de Abril, construindo progressivamente uma carreira a solo que viria a colocá-lo entre os nomes fundamentais da música portuguesa contemporânea.

Ao longo de mais de cinco décadas, Jorge Palma assinou algumas das canções mais reconhecidas da música nacional. “Frágil”, “Deixa-me Rir”, “Dá-me Lume”, “Bairro do Amor”, “Estrela do Mar”, “Na Terra dos Sonhos” e “Encosta-te a Mim” são apenas alguns dos temas de uma discografia extensa que atravessou diferentes épocas e públicos.

Álbuns como “O Lado Errado da Noite”, “Bairro do Amor”, “Só”, “Voo Nocturno” e “Com Todo o Respeito” tornaram-se referências no seu percurso. O músico participou igualmente em projetos coletivos como Palma’s Gang, Rio Grande e Cabeças no Ar. O último álbum de originais, “Vida”, foi lançado em 2023.

A carreira valeu-lhe também várias distinções. Jorge Palma recebeu, entre outros reconhecimentos, o Prémio José Afonso, o Prémio Pedro Osório e foi distinguido como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Em abril deste ano recebeu ainda o Prémio Carreira dos PLAY – Prémios da Música Portuguesa.

Jorge Palma deixou também a sua marca em Águeda

A ligação de Jorge Palma a Águeda faz com que a notícia da sua morte tenha um significado particular para muitos dos que tiveram oportunidade de o ouvir ao vivo no concelho.

Em 2015, o músico passou pelo AgitÁgueda, numa atuação que contou com a Orquestra Filarmónica 12 de Abril, levando ao palco algumas das canções que fizeram dele uma referência incontornável da música portuguesa.

Anos mais tarde, Jorge Palma regressaria a Águeda. A 29 de outubro de 2021, subiu ao palco do Centro de Artes de Águeda para um concerto em formato acústico, acompanhado por Vicente Palma e Gabriel Gomes. Foi uma oportunidade para o público aguedense voltar a encontrar-se de perto com o músico e com temas como “Frágil”, “Deixa-me Rir”, “Dá-me Lume” e “Encosta-te a Mim”.

Essa passagem pelo Centro de Artes acabaria por ficar como uma das memórias mais recentes da presença do cantor em Águeda.

Jorge Palma deixa uma carreira de mais de meio século, dezenas de canções e uma forma muito própria de escrever, cantar e tocar. Do piano clássico às ruas europeias, dos pequenos palcos às grandes salas, dos projetos coletivos à carreira a solo, construiu um percurso difícil de separar da própria história da música popular portuguesa das últimas décadas.

Morre aos 76 anos, mas permanecem as canções. E, em Águeda, permanecem também as memórias das vezes em que Jorge Palma subiu aos palcos do concelho e cantou para um público que hoje o recorda através de uma obra que atravessou gerações.

Fotos: DR e ÁguedaTV

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