A CDU Fundão veio questionar os números e conclusões apresentados no Relatório de Avaliação da EXPO Fundão 2026, considerando que parte significativa dos resultados divulgados assenta em estimativas que, no entender da coligação, necessitam de maior fundamentação, transparência e rigor.
Em nota enviada à comunicação social, a CDU começa por reconhecer a importância da EXPO na promoção do concelho, na valorização das atividades económicas e na dinamização cultural e social, bem como o contributo de expositores, trabalhadores, artistas, associações e restantes participantes. Sublinha, contudo, que esse reconhecimento não impede o escrutínio dos dados apresentados pelo Município.
Um dos principais pontos levantados prende-se com os 2,23 milhões de euros de circulação económica bruta indicados no relatório, dos quais cerca de 1,32 milhões correspondem a atividade económica direta no recinto. Segundo a CDU, a estimativa das vendas dos 140 participantes económicos terá sido construída a partir de 55 respostas a um inquérito, complementadas por outros dados e pressupostos.
A coligação refere ainda que a extrapolação terá utilizado o limite superior dos intervalos de faturação e questiona igualmente a inclusão de 250 mil euros de consumo complementar, calculados através da atribuição de cinco euros a cada uma das 50 mil participações estimadas.
Também o número de participantes merece reservas por parte da CDU. De acordo com a nota, as 50 mil participações não resultam de uma contagem sistemática, mas de uma média estimada de cinco mil participações por dia durante os dez dias do certame. A força política alerta que este valor serve posteriormente de base a outros cálculos económicos, aumentando, no seu entender, a margem de incerteza.
No capítulo financeiro, a CDU chama a atenção para a diferença entre o custo total da iniciativa e o encargo líquido suportado pelo Município. Segundo os valores citados, a despesa pública total ascendeu a 649.644,79 euros, existindo 293.442 euros de receitas e financiamento, o que terá deixado um encargo líquido municipal de 356.202,79 euros.

A CDU considera que custo total e encargo líquido são conceitos distintos e defende uma discriminação mais detalhada das despesas, incluindo informação sobre os recursos humanos, materiais e outros meios municipais utilizados.
A projeção mediática é outro dos aspetos analisados. A nota refere os 7,8 milhões de visualizações digitais e os 642.919 euros de equivalência publicitária apresentados no relatório, defendendo que estes indicadores devem ser claramente distinguidos de receitas ou riqueza efetivamente gerada.
A coligação critica ainda o facto de uma parte significativa das 52 páginas do relatório ser dedicada a fotografias e registos visuais, considerando reduzida a informação disponibilizada sobre contas, metodologia das estimativas económicas e demonstração dos resultados.
Relativamente às recomendações para futuras edições, a CDU considera positivas algumas das propostas apresentadas, como uma contagem mais rigorosa de visitantes e um melhor acompanhamento de vendas e negócios, mas entende que faltam prioridades, metas, responsáveis e prazos concretos.
A CDU Fundão defende também que a avaliação da EXPO deve ir além das vendas realizadas durante os dez dias do evento, procurando perceber que negócios tiveram continuidade, que contactos comerciais produziram resultados, que benefícios permaneceram na economia local e que compromissos resultaram das Fundão Talks.
A coligação termina exigindo maior transparência na apresentação das despesas e receitas, melhor fundamentação das estimativas e mecanismos que permitam avaliar de forma verificável os efeitos da iniciativa na economia do concelho.
