A Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil promoveu a primeira Conferência “Heróis da Fruta”, um encontro que reuniu mais de 500 participantes, entre médicos, nutricionistas, investigadores, responsáveis políticos, autarcas e representantes das comunidades escolares de todos os distritos e regiões autónomas do país.
A iniciativa assinalou os 15 anos do programa “Heróis da Fruta”, projeto de literacia alimentar que, desde 2011, já envolveu cerca de um milhão de crianças em Portugal. O encontro serviu para analisar os resultados alcançados e debater novas respostas para a prevenção da obesidade infantil, num contexto em que cerca de uma em cada três crianças apresenta excesso de peso ou obesidade e aproximadamente 70% não consome hortofrutícolas diariamente.
Entre os dados apresentados estiveram os resultados de uma avaliação desenvolvida pelo Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Segundo a investigação, o programa permitiu aumentar de forma significativa o consumo diário de fruta nas escolas, tendo cerca de 40% das crianças adquirido um hábito regular de consumo à quarta semana de intervenção.
Os investigadores verificaram ainda um impacto particularmente relevante entre crianças de famílias em situação de maior vulnerabilidade socioeconómica, com 64% a apresentarem consumo regular de fruta no final do estudo.
Durante a conferência foram também apresentados os resultados do projeto piloto “Heróis da Fruta 2.0”, desenvolvido no ano letivo 2025/2026 na freguesia da Ajuda. A experiência incluiu a distribuição semanal de cabazes de fruta e registou a adesão de 90% das escolas daquela freguesia. De acordo com os dados divulgados, 87% das crianças experimentaram novos hortofrutícolas durante o projeto.
O presidente da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil, Mário Silva, destacou a abordagem dos chamados “Três Zeros da Obesidade”: zero culpa, zero pressão e zero estigma, defendendo que a obesidade deve ser encarada como uma doença crónica multifatorial e que a criação de ambientes favoráveis à alimentação saudável é essencial para alterar comportamentos.
O encontro abordou igualmente o impacto económico da obesidade no Serviço Nacional de Saúde. O presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, José Silva Nunes, apontou para um custo anual estimado de 1,15 mil milhões de euros, alertando que a grande maioria deste montante estará associada ao tratamento das complicações da doença.
A importância das escolas na promoção da saúde esteve igualmente em destaque. Responsáveis da Direção-Geral da Saúde, investigadores e outros especialistas defenderam a necessidade de conjugar a disponibilização de alimentos saudáveis com ações pedagógicas que ajudem as crianças a criar hábitos alimentares duradouros.
A conferência terminou com um apelo ao envolvimento de mais municípios e comunidades escolares na implementação deste tipo de programas, procurando reforçar a prevenção da obesidade infantil através da articulação entre ciência, educação, famílias, autarquias e sociedade civil.
Entretanto, estão já abertas as inscrições para o desafio escolar “Heróis da Fruta” referente ao ano letivo 2026/2027, dando continuidade ao projeto desenvolvido pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil junto das escolas portuguesas.

